30 de abril de 2015

atropelo

todos os dias nuvens atropelam prédios de 20 andares ou mais
o vento que balança tudo que se prende no fio elétrico
rabiolas, tênis e pombos
é o mesmo vento que joga o agora longe do tempo

já não tenho copos inteiros para usar
é sempre uma lasca, um caco ou rachadura
pra levar à boca
é sempre um corte, uma afta ou uma gota
pra calar a boca
esse mosaico incompleto que é a vida
esses retalhos e sobras de tecidos
esses recados de sombras distorcidas

a sujeira do meu pensamento
se traduz em papel amassado no quarto
as palavras por si só, não se bastam
se perdem em sentidos sem norte ou bússola
preferem a morte em qualquer esquina
se humilham e se jogam em qualquer trilho

é sempre o mesmo jogo de palavras
as mesmas rimas inocentes
rimas inocentes
rimas e no sentes
rimas e não sentes
nada

é fácil dormir e não sonhar
difícil é acordar contudo
é fácil escrever qualquer coisa que vem a mente
difícil é sentir cada vírgula que deixei de acreditar

penso no tom pra ler isso em voz alta
leio alto isso para imaginar como penso em silêncio
cada letra respirada é perdida
me falta fôlego pra dizer o que me tira o fôlego
engasgo com meus esses, erres, erros e egos
me perco, me calo e me cego
com as nuvens atropelando prédios
e eles seguindo intactos



(Giovanni Venturini - 06/04/15)

24 de dezembro de 2014

Carta de reconciliação

Para Vida


Você foi dura, foi seca, crua e aprontou comigo, Vida.
Esse tal Dois Mil e Quatorze foi difícil, inconveniente.
Chegou devagar me acariciando, e fazendo promessas
de amor, de trabalho, de melhoras, de tudo.
Demorou a passar, deu coice, foi duro
foi rude e dizem que foi o mais quente.
Eu cai na lábia Dele, e você também né Vida?
Esse complô de vocês foi covardia, e ainda mais desse Júpiter que regia.
Foram lágrimas, decisões, revelações e dúvidas.
A cada virada, uma nova trama, tipo novela Mexicana.
As coisas pioravam e vinha você Vida, me acariciando toda meiga
dizia que ia passar, que estava melhorando então surgia
um novo problema, uma nova ofensa.
Foi malvada, um tanto quanto satírica, sádica, sódica...caustica.
Corroendo e rindo a cada erro, a cada lágrima, a cada DESGRAÇA.
E olha, que não foram poucas, mas deixemos de lado essa palavra.
Ela atrai mais coisa ruim, minha mãe sempre diz isso para mim.
E por falar em atrair, em trair, em mentir
enganar, em sofrer, em fingir
você sabe muito bem o que é isso não é mesmo, Vida?
Foi o ano que você mais mentiu, sorriu amarela
com cara de inocente, fez juras, promessas
eu, inexperiente, cai em todas elas.
Mas teve uma hora que até mesmo você cansou.
As tempestades, trovões, os ventos, o fogo de Iansã e Xangô uma hora cessou.
Não tinha mais o que aprontar, o que fazer, onde revirar. Deu uma trégua.
Esse tal Dois Mil e Quatorze foi chato, mas aprendizado a gente sempre leva.
Olha, não sou só eu que ando reclamando, a grande maioria quer que acabe esse ano.
Vida, eu sei que vocês tiveram uma relação intensa e profunda, mas foi fugaz.
Aprendemos muito, evoluímos, amadurecemos, porém é hora de deixar Ele para trás.
Mesmo eu reclamando, foi importante ter vivido e passado por tudo isso.
Nada vai ser apagado, oque aconteceu ficou para sempre na memória.
Volta para mim Vida, chegou à hora.
Precisamos nos livrar de ferrugens,
larga desse tal Dois Mil e Quatorze, mas nada de Dois Mil e Crise.
Eu te perdoo, e espero que você também, afinal as falhas não foram só suas,
eu tenho minha parcela de culpa.
É hora de revirar essa página com nossos erros.
Vida, Dois Mil e Kiss-me , beije-me,
Quis-me, Queira-me inteiro.

Ansioso te espero.



Giovanni Venturini – 22/12/14

16 de dezembro de 2014

como ver uma mosca voando ao seu redor
e não ter a compulsão de matá-la
como um grão de pó que gruda na lente do seu óculos
e não querer limpá-la
como uma gota que invade seu relógio
que não é a prova d’água
como perder a tarraxa do brinco
que mais gostava
como estourar a correia do seu chinelo
e ter que andar descalça

eu sou essa coisa pequena
que te deixa incomodada
essa inconveniência
que não sai da cabeça
essa miudeza
que finge que não liga
essa impertinência
que te preenche inteira
eu sou aquilo que te irrita
e não te sossega
eu sou o pouco
que te faz muito
um pequeno nada

do seu tudo


Giovanni Venturini - 21/07/14

25 de novembro de 2014

hotel rodoviária - Danislau



Terminei de ler o Hotel Rodoviária de Danislau. E posso dizer que “atinge o máximo em perigo e precipício”, assim como às mulheres cientes de si.
O que acontece no livro e na mente de Danislau, não é justo julgar. Assim como as loucuras que ele/eu/nós/todos aprontamos nas madrugadas. “O que acontece na madrugada a boca da noite engole. Nunca será justo julgar eventos noturnos à luz do dia [...]
Todo mergulho tem um pouco de abandono, está aí a cauda do Cometa Halley para comprová-lo.”

E eu me sinto mergulhado, e abandonado. Abandonado pela história, pelas personagens, pela poesia. Abandonado nesse hotel, nessa rodovia, nesse texas brasileiro, por essa trama, essa novela mexicana-brasileña-holly-e-bolly- woodiana.

Abandonado e em silêncio.
“O silêncio da porta é a herança maior que esse amor me deixou”, o meu atual silêncio é a herança maior que seu livro me deixou.

Chega de elogio, porque “elogio, quase sempre é um recurso dispensável, muito mais ofensivo que edificante.”

Entendi que era hora de acabar, afinal “a cerveja sempre acaba porque a sede tem que continuar.”

E eu estou sedento por mais!

20 de novembro de 2014

fone dissolvido

em meu fone
de ouvido
o som
do nosso fim
dissolvido
no último
acorde
pra vida
soul
devolvido
Giovanni Venturini - 14/08/2014

28 de outubro de 2014

Histórias Extraordinárias - National Geographic

Hoje, terça-feira (28/10), vai ao ar o último episódio de‪#‎HistóriasExtraordinárias‬ na National Geographic.
O episódio fala sobre nanismo e eu, junto com Mila Poci, Adriana Poci eNey Melo fomos personagens deste documentário.
Meus sinceros agradecimentos à equipe que acompanhou por alguns dias minhas aventuras pela cidade: Marcos Smania , Bruna Marcatto,Carlos Firmino, Felipe Rodrigues, Juliano Zoppii, ‪#‎Luiz‬ , ‪#‎Jorginho‬ ,Beatriz Monteiroro e todos envolvidos no projeto.
Gratidão também à Kica de Castro, que liberou o nosso ensaio fotográfico para que filmassem, e além do que concedeu uma belíssima entrevista para o pessoal.
Muito grato Daniel Minchoni, Marcus Enivovo , ‪#‎Jerry‬, Luís Lobott, Tche D'alia, Ualy Silvaly, ‪#‎Jamile‬ e toda a equipe da A7MA e do sarau do burropela parceria de sempre, por me fazerem sentir em casa (sempre), por liberarem a filmagem e participar de um momento especial como este.
Grato a Suzie Bianchi, Flavinho, Alberto Garcya, Paloma Nogueira, Rafael Barbosa e todos da Cia Circodança por terem autorizado a filmarem o nosso ensaio e cedido uma das salas para entrevista, mesmo em horário de aula.
Obrigado ao Anderson Pereira da Silva, que mesmo sem saber o que tava rolando, acabou fazendo uma participação no vídeo, enquanto filmávamos no Circo no Beco. Rsrs
E o maior agradecimento vai para os meus pais Jorge Venturini e Marli Fiori Venturini, por serem quem são, por terem me criado com tanto amor respeito, educação e acima de tudo igualdade. Por nunca terem me proibido de fazer nada por eu ser diferente, por terem me incentivado à seguir meus sonhos e por nunca saírem do meu lado, mesmo nos momentos mais difíceis. Amo vocês 
Então, recapitulando:
Hoje (28/10) às 23:15
no National Geographic
Histórias Extraordinárias – Nanismo

6 de outubro de 2014

dívida de poeta

estou duro
em dívidas
em dúvidas
de rimas
prometi versos
e poesias
para musas
e amigas
fico dando desculpas
de inspiração
é que não funciono sob

(de)pressão