19 de novembro de 2009

Nada mais importava ou Um momento de nossa história

Ninguém mais aguentava prestar atenção na aula...
Começa um murmurinho aqui, outro acolá...
Parecia uma aula normal.
Ninguém mais prestava atenção...Estava uma falação.
Mas era baixo, como um segredo, um plano que ninguém (a não ser nós mesmos) pudesse ouvir
...
Continua o falatório até que o assunto chega até mim.
Então o medo se instalou...
Meu coração batendo cada vez mais forte, a adrenalina já tomava conta de mim.
A hora que não passava, todos já ansiosos e apavorados.
Todos se preparando...
E a hora se aproximando, mas bem lentamente, dando mais sofrimento e angústia aos nossos corações. Bom, pelo menos foi isso o que eu senti.
É chegada a hora.
O sinal de mudança de aula toca, todos se levantam como num passo ensaiado e dirigem-se para a porta...
A professora, que ainda estava na sala, pergunta aonde vamos...Responderam alguma coisa, mas era chegada a hora, não tínhamos tempo para conversa e explicação...Começa a correria.
Um empurrando o outro, todos querendo fugir, ninguém querendo ser pego...
Todos já descalços para que conseguisse maior velocidade.
Descemos a escada quase que atropelando uns aos outros.
Um de nós grita, fazendo com que aumente a tensão.
O coração já está num ritmo absurdo, a adrenalina corre na veia, a correria é no corpo inteiro...
Faço a curva, ainda sendo empurrado e ainda empurrando. Todos correndo juntos, como uma manada fugindo do caçador.
Depois da curva um corredor, não muito grande, pelo contrário, estreito para passar todos de uma vez...
Mas seguimos nos espremendo e nos empurrando.
No corredor já começo a ouvir os gritos e barulho dos colegas caindo.
Consegui enfim passar a porta. Sinto que ainda tenho tempo ao menos para tirar a camisa. Arremesso-a em qualquer lugar e pulo!
Ouço os gritos ainda.Ouço mais gente caindo...E ouço meu coração.
Ele ainda bate acelerado,e a adrenalina ainda está presente, com menos intensidade.
Agora já não ouço mais ninguém caindo...Acho que já foram todos.
Mas a gritaria continua.
A adrenalina vai dando espaço para outras coisas que vem tomando meu corpo.
Felicidade, alegria em estar ali com aquelas pessoas que divido boa parte dos meus dias.
Gritamos e cantamos de felicidade. Celebramos o fato de termos conseguido sair na mudança de aula e invadido a piscina do colégio, que era proibida para nós, os alunos do Terceirão.
Na verdade o que celebrávamos era o fato de termos conseguido todos juntos, mesmo que nos "empurrando", chegar até ali...Até o Terceiro Ano do Ensino Médio.
A felicidade estava nos rostos, nos gritos, na expressão, mesmo que singela e tímida de cada um.
Mas quem não estava, tenho certeza que não foi esquecido e que de algum modo, mesmo que não fosse fisicamente, estava presente. E mesmo que triste (ou não) por não ter participado daquele momento, estava feliz por ter participado daquela história. Da história “DAQUELA” sala.
Cada um ali já tinha seu papel na nossa “família” e era insubstituível. Não era pelo fato de não estar ali que seria esquecido, ou seria menos importante.
Aquele foi apenas mais um momento maravilhoso dessa grande história.
Muitos já se foram, muitos ainda se vão. Mas todos ficaram...Ficaram na memória de cada um.
Só queria esclarecer que não foi uma afronta ao colégio, nem um ato de vandalismo.
Foi uma forma de agradecimento e celebração...
Celebrávamos apenas a nós e nossos momentos...Nada mais importava!

Um comentário:

Weber disse...

Do que mais é feita a vida senão de momentos???

Nada mais justo que celebrá-los!!!

Curti muito o post maninho... ficou com cara de "biografia" rs.

Abraço(,) Gigante