24 de dezembro de 2014

Carta de reconciliação

Para Vida


Você foi dura, foi seca, crua e aprontou comigo, Vida.
Esse tal Dois Mil e Quatorze foi difícil, inconveniente.
Chegou devagar me acariciando, e fazendo promessas
de amor, de trabalho, de melhoras, de tudo.
Demorou a passar, deu coice, foi duro
foi rude e dizem que foi o mais quente.
Eu cai na lábia Dele, e você também né Vida?
Esse complô de vocês foi covardia, e ainda mais desse Júpiter que regia.
Foram lágrimas, decisões, revelações e dúvidas.
A cada virada, uma nova trama, tipo novela Mexicana.
As coisas pioravam e vinha você Vida, me acariciando toda meiga
dizia que ia passar, que estava melhorando então surgia
um novo problema, uma nova ofensa.
Foi malvada, um tanto quanto satírica, sádica, sódica...caustica.
Corroendo e rindo a cada erro, a cada lágrima, a cada DESGRAÇA.
E olha, que não foram poucas, mas deixemos de lado essa palavra.
Ela atrai mais coisa ruim, minha mãe sempre diz isso para mim.
E por falar em atrair, em trair, em mentir
enganar, em sofrer, em fingir
você sabe muito bem o que é isso não é mesmo, Vida?
Foi o ano que você mais mentiu, sorriu amarela
com cara de inocente, fez juras, promessas
eu, inexperiente, cai em todas elas.
Mas teve uma hora que até mesmo você cansou.
As tempestades, trovões, os ventos, o fogo de Iansã e Xangô uma hora cessou.
Não tinha mais o que aprontar, o que fazer, onde revirar. Deu uma trégua.
Esse tal Dois Mil e Quatorze foi chato, mas aprendizado a gente sempre leva.
Olha, não sou só eu que ando reclamando, a grande maioria quer que acabe esse ano.
Vida, eu sei que vocês tiveram uma relação intensa e profunda, mas foi fugaz.
Aprendemos muito, evoluímos, amadurecemos, porém é hora de deixar Ele para trás.
Mesmo eu reclamando, foi importante ter vivido e passado por tudo isso.
Nada vai ser apagado, oque aconteceu ficou para sempre na memória.
Volta para mim Vida, chegou à hora.
Precisamos nos livrar de ferrugens,
larga desse tal Dois Mil e Quatorze, mas nada de Dois Mil e Crise.
Eu te perdoo, e espero que você também, afinal as falhas não foram só suas,
eu tenho minha parcela de culpa.
É hora de revirar essa página com nossos erros.
Vida, Dois Mil e Kiss-me , beije-me,
Quis-me, Queira-me inteiro.

Ansioso te espero.



Giovanni Venturini – 22/12/14

16 de dezembro de 2014

como ver uma mosca voando ao seu redor
e não ter a compulsão de matá-la
como um grão de pó que gruda na lente do seu óculos
e não querer limpá-la
como uma gota que invade seu relógio
que não é a prova d’água
como perder a tarraxa do brinco
que mais gostava
como estourar a correia do seu chinelo
e ter que andar descalça

eu sou essa coisa pequena
que te deixa incomodada
essa inconveniência
que não sai da cabeça
essa miudeza
que finge que não liga
essa impertinência
que te preenche inteira
eu sou aquilo que te irrita
e não te sossega
eu sou o pouco
que te faz muito
um pequeno nada

do seu tudo


Giovanni Venturini - 21/07/14

25 de novembro de 2014

hotel rodoviária - Danislau



Terminei de ler o Hotel Rodoviária de Danislau. E posso dizer que “atinge o máximo em perigo e precipício”, assim como às mulheres cientes de si.
O que acontece no livro e na mente de Danislau, não é justo julgar. Assim como as loucuras que ele/eu/nós/todos aprontamos nas madrugadas. “O que acontece na madrugada a boca da noite engole. Nunca será justo julgar eventos noturnos à luz do dia [...]
Todo mergulho tem um pouco de abandono, está aí a cauda do Cometa Halley para comprová-lo.”

E eu me sinto mergulhado, e abandonado. Abandonado pela história, pelas personagens, pela poesia. Abandonado nesse hotel, nessa rodovia, nesse texas brasileiro, por essa trama, essa novela mexicana-brasileña-holly-e-bolly- woodiana.

Abandonado e em silêncio.
“O silêncio da porta é a herança maior que esse amor me deixou”, o meu atual silêncio é a herança maior que seu livro me deixou.

Chega de elogio, porque “elogio, quase sempre é um recurso dispensável, muito mais ofensivo que edificante.”

Entendi que era hora de acabar, afinal “a cerveja sempre acaba porque a sede tem que continuar.”

E eu estou sedento por mais!

20 de novembro de 2014

fone dissolvido

em meu fone
de ouvido
o som
do nosso fim
dissolvido
no último
acorde
pra vida
soul
devolvido
Giovanni Venturini - 14/08/2014

28 de outubro de 2014

Histórias Extraordinárias - National Geographic

Hoje, terça-feira (28/10), vai ao ar o último episódio de‪#‎HistóriasExtraordinárias‬ na National Geographic.
O episódio fala sobre nanismo e eu, junto com Mila Poci, Adriana Poci eNey Melo fomos personagens deste documentário.
Meus sinceros agradecimentos à equipe que acompanhou por alguns dias minhas aventuras pela cidade: Marcos Smania , Bruna Marcatto,Carlos Firmino, Felipe Rodrigues, Juliano Zoppii, ‪#‎Luiz‬ , ‪#‎Jorginho‬ ,Beatriz Monteiroro e todos envolvidos no projeto.
Gratidão também à Kica de Castro, que liberou o nosso ensaio fotográfico para que filmassem, e além do que concedeu uma belíssima entrevista para o pessoal.
Muito grato Daniel Minchoni, Marcus Enivovo , ‪#‎Jerry‬, Luís Lobott, Tche D'alia, Ualy Silvaly, ‪#‎Jamile‬ e toda a equipe da A7MA e do sarau do burropela parceria de sempre, por me fazerem sentir em casa (sempre), por liberarem a filmagem e participar de um momento especial como este.
Grato a Suzie Bianchi, Flavinho, Alberto Garcya, Paloma Nogueira, Rafael Barbosa e todos da Cia Circodança por terem autorizado a filmarem o nosso ensaio e cedido uma das salas para entrevista, mesmo em horário de aula.
Obrigado ao Anderson Pereira da Silva, que mesmo sem saber o que tava rolando, acabou fazendo uma participação no vídeo, enquanto filmávamos no Circo no Beco. Rsrs
E o maior agradecimento vai para os meus pais Jorge Venturini e Marli Fiori Venturini, por serem quem são, por terem me criado com tanto amor respeito, educação e acima de tudo igualdade. Por nunca terem me proibido de fazer nada por eu ser diferente, por terem me incentivado à seguir meus sonhos e por nunca saírem do meu lado, mesmo nos momentos mais difíceis. Amo vocês 
Então, recapitulando:
Hoje (28/10) às 23:15
no National Geographic
Histórias Extraordinárias – Nanismo

6 de outubro de 2014

dívida de poeta

estou duro
em dívidas
em dúvidas
de rimas
prometi versos
e poesias
para musas
e amigas
fico dando desculpas
de inspiração
é que não funciono sob

(de)pressão


24 de setembro de 2014

sobre crer

a minha superstição depende da mão
quando coça a direita
acredito e anseio a entrada do dinheiro
quando é a esquerda disfarço a coceira
sei rezar Pai Nosso e Ave Maria,
e fiz 3 pedidos ao nosso Senhor do Bonfim
quando amarrei a fitinha no pulso direito
brinco e relógio só uso no lado esquerdo
o sinal da cruz só faço com a mão direita
mas o que me conforta
é o centro do terreiro
bato no chão 3 vezes
absorvo a energia do solo
e depois levo ao peito
continuo crendo
em duendes, dríades, faunos
e outros seres mitológicos
mas nunca vi ácaros, Ícaros
nem cavalos alados
gosto de música cigana
e fugir com o circo me encanta
talvez por vidas passadas
mas não acredito em alma reencarnada
só creio em ressurreição da Fenix
do budismo, o karma e o nirvana
levo a sério coincidências
e creio em destino
mas acasos também me acreditam
eu não piso primeiro com o pé direito
seja ao levantar da cama
no campo de futebol
ou na roda de capoeira
quando acho algo perdido
graças a São Longuinho
dou logo 3 pulinhos
não peço a benção aos meus avós
mas rezo toda noite antes de dormir
sou educado, catequizado e crismado
mas não sei se creio no matrimônio
acredito que alguém pode viver sozinho
mas nunca solitário
às vezes acho que o ser humano é poligâmico
mas acredito em  ciúmes e amor a primeira vista
sei que cada panela tem sua tampa
e que ainda há fidelidade em quem ama
sento à mesa sem tirar o chapéu
tenho medo de comer banana depois da janta
mas corto as unhas de noite sem problema
não gosto de me encarar no espelho depois de almoçar
minha mãe já teve a boca entortada por golpe de ar
ainda assim como e tomo banho em seguida
e não ouso tomar leite depois de comer manga
creio que fora da Terra há vida
e em uma futura guerra por água
nunca fui em cartomante
mas já tive vontade
sei meu signo, minha lua e ascendente
e que o caos desse ano
é por ser regido por Júpiter
mas não leio horóscopo todos os dias
rezo o Santo Anjo antes da peça
espero que Dionísio não se ofenda
pois é a ele que peço proteção
ao entrar em cena
por vezes deixo uma sobra no prato
dizem que é pro santo
mas não gosto de oferenda
já confiei na tecnologia e na medicina
mas me perdi usando GPS
me achei apenas lendo placas
e nunca quis cirurgia
acredito que tudo
se transforma
nada se cria
o que se usa gasta
e vida eterna uma hora finda
às vezes acredito
em inferno, purgatório
e no céu São Pedro como porteiro
Zeus lançando raios do Olimpo
e Poseidon revirando águas
mas quando entro no mar
eu peço licença é pra Iemanjá
já quis sair do país
às vezes acho que não vou ter filhos
já quis criar raiz
às vezes me vejo com uma família
já quis sumir sozinho
vivi paixões repentinas
amei profundamente
mas tenho medo de relacionamentos
e já confundi todos os sentimentos
creio em tanto em muito
e duvido de quase tudo
o nada é tão certo
e o certo é tão nada
minha única certeza
que a dúvida é minha crença



Giovanni Venturini - 20/09/2014